segunda-feira, 20 de julho de 2026

👍A história do leão que não sabia escrever: leitura e interpretação

Atividade de língua portuguesa para trabalhar leitura e interpretação em referência "A história do leão que não sabia escrever", na versão colorida e para colorir...

Espero que a publicação seja útil e auxilie a sua prática pedagógica. Gratidão pela visita e volte sempre! 🙂


A atividade inspirada no livro A história do leão que não sabia escrever, de Martin Baltscheit, oferece uma oportunidade significativa para desenvolver a leitura, a oralidade e a produção escrita nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Na narrativa, o leão percebe que sua força e seu rugido não são suficientes quando precisa comunicar suas próprias ideias por escrito. Ao pedir ajuda a outros animais, descobre que cada um escreve conforme seus gostos e experiências, sem representar exatamente aquilo que ele gostaria de dizer.

A proposta permite mostrar aos estudantes que escrever não significa apenas copiar palavras ou dominar regras ortográficas. A escrita é uma forma de expressar sentimentos, opiniões, desejos e necessidades, levando em consideração quem receberá a mensagem e qual é a finalidade da comunicação. A atividade pode ser utilizada depois da leitura mediada da história, como registro da compreensão ou ponto de partida para outras produções.

Objetivos da atividade:
●Incentivar o interesse pela leitura literária;
●Desenvolver a compreensão e a interpretação da narrativa;
●Identificar personagens, acontecimentos, conflitos e desfecho;
●Reconhecer informações explícitas e inferir informações implícitas;
●Compreender a importância da leitura e da escrita nas situações cotidianas;
●Estimular a expressão oral, a escuta atenta e o respeito às diferentes opiniões;
●Perceber que cada pessoa possui ideias, preferências e formas próprias de se expressar;
●Identificar o remetente, o destinatário e a finalidade de uma mensagem;
●Conhecer as características básicas de cartas e bilhetes;
●Planejar e produzir pequenos textos com clareza e intencionalidade;
●Ampliar o vocabulário e aprimorar a organização das ideias;
●Desenvolver autonomia, autoria e confiança para escrever.

Benefícios pedagógicos:
O principal benefício da atividade é aproximar a alfabetização de uma situação real de comunicação. A criança percebe que aprender a escrever permite registrar aquilo que pensa e fazer com que sua mensagem chegue a outras pessoas.

A história também contribui para o desenvolvimento da autoria. Ao observar que as mensagens produzidas pelos outros animais não representam os pensamentos do leão, os estudantes compreendem que não basta escrever qualquer coisa: é necessário considerar a intenção de quem fala, o assunto e o destinatário.

Outro aspecto importante é o trabalho com diferentes pontos de vista. Cada animal interpreta a tarefa conforme seus hábitos e preferências. Essa situação favorece conversas sobre empatia, escuta e respeito, mostrando que compreender o outro exige atenção ao que ele realmente deseja comunicar.

A leitura mediada ainda estimula a imaginação, a ampliação do repertório cultural, a capacidade de formular hipóteses e a interpretação das ilustrações. Na produção escrita, são mobilizados conhecimentos sobre organização textual, escolha de palavras, segmentação, pontuação, ortografia e revisão.

Sugestões para trabalhar a atividade:

1. Conversa antes da leitura
Apresente o título e a capa da obra, sem revelar imediatamente o enredo. Pergunte:
●Por que será que o leão não sabia escrever?
●Em quais situações precisamos da escrita?
●Será que alguém pode ser forte e, mesmo assim, precisar de ajuda?
●O que o leão poderia fazer para aprender?
●Que tipo de mensagem ele gostaria de escrever?
Registre algumas hipóteses no quadro para que possam ser retomadas depois da leitura.

2. Leitura mediada
Leia a história com entonação e faça pequenas pausas para que os estudantes observem as imagens, antecipem acontecimentos e comentem as atitudes das personagens. Evite interromper excessivamente a narrativa, preservando o envolvimento com a leitura.
Ao final, retome as hipóteses iniciais e converse sobre o conflito vivido pelo personagem.

3. Compreensão da história
Depois da leitura, proponha perguntas como:
●Qual era o problema enfrentado pelo leão?
●Por que ele pediu ajuda aos outros animais?
●As mensagens produzidas representavam o que ele queria dizer?
●Por que cada animal escrevia uma mensagem diferente?
●O que o leão aprendeu ao longo da história?
●Qual é a importância de saber ler e escrever?
●O que poderia ter acontecido se o destinatário recebesse uma mensagem pouco clara?
As respostas podem ser dadas oralmente, registradas individualmente ou produzidas coletivamente.

4. Sequência dos acontecimentos
Entregue imagens ou frases curtas com os principais acontecimentos para que as crianças organizem a sequência narrativa. A proposta ajuda a trabalhar noções de começo, desenvolvimento e desfecho.
Para turmas em fase inicial de alfabetização, podem ser utilizadas apenas imagens. Os estudantes mais avançados podem escrever uma frase para cada cena.

5. Estudo das personagens
Construa um quadro contendo o nome do animal, a mensagem que ele gostaria de transmitir e a razão pela qual essa mensagem não correspondia à intenção do leão. Assim, a turma poderá perceber como as experiências e preferências das personagens influenciam sua maneira de escrever.

6. Trabalho com cartas e bilhetes
Apresente as partes básicas de uma carta ou de um bilhete:
●Destinatário;
●Saudação;
●Assunto ou mensagem;
●Despedida;
●Nome ou assinatura do remetente.
Explique que a linguagem pode mudar conforme o destinatário e a finalidade. Uma mensagem para um colega, por exemplo, pode ser diferente de um pedido encaminhado à direção da escola.

7. Produção textual
Convide cada estudante a escrever uma mensagem que o próprio leão poderia enviar. Antes da escrita, organize um planejamento coletivo:
●Para quem ele escreverá?
●O que deseja comunicar?
●Qual é a finalidade da mensagem?
●Como pode começar?
●Quais informações não podem faltar?
●Como pode encerrar?
■Depois da primeira versão, realize a revisão com perguntas simples: a mensagem está clara? O destinatário entenderá? Há alguma informação faltando? As palavras estão separadas adequadamente? É necessário acrescentar pontuação?
Os estudantes que ainda não escrevem com autonomia podem ditar o texto ao professor, produzir uma escrita espontânea ou combinar desenhos e palavras.

8. Relação com situações cotidianas
Converse sobre os diferentes usos da escrita presentes no cotidiano: enviar recados, fazer convites, registrar lembretes, escrever listas, informar acontecimentos e expressar agradecimentos. A discussão ajuda as crianças a reconhecerem a função social da língua escrita.

Dica de dinâmica: 
Correio da Floresta
Prepare uma caixa decorada como uma caixa de correio e coloque dentro dela cartões com nomes ou imagens de animais. Cada estudante ou grupo retira um cartão e produz uma mensagem destinada à personagem sorteada.
As mensagens podem apresentar diferentes finalidades, como:
●Fazer um convite;
●Agradecer por uma ajuda;
●Pedir uma informação;
●Contar uma novidade;
●Fazer uma pergunta;
●Pedir desculpas;
●Elogiar uma atitude;
●Oferecer ajuda.
Depois da produção, as mensagens são colocadas no “Correio da Floresta”. Um estudante assume o papel de carteiro e realiza a entrega. Quem receber deverá ler ou ouvir o texto e dizer se conseguiu compreender quem escreveu, qual era o assunto e o que o remetente desejava.
A dinâmica torna a produção escrita mais significativa, pois oferece um destinatário e uma finalidade reais. Também permite conversar sobre a importância de escrever com clareza.
■Possibilidades interdisciplinares
Em Arte, os estudantes podem ilustrar as personagens, confeccionar envelopes ou montar um cenário da floresta. Em Ciências, podem pesquisar características e habitats dos animais presentes na narrativa. Em Educação Socioemocional, a atividade pode abordar escuta, cooperação, respeito e a importância de pedir ajuda.
Outra possibilidade é realizar uma dramatização. Cada grupo representa uma das situações da história e apresenta uma mensagem criada pela personagem. Depois, a turma analisa se a fala está de acordo com aquilo que o leão desejava comunicar.

Habilidades da BNCC
A seleção das habilidades deve considerar o ano escolar, o nível de aprendizagem e os encaminhamentos adotados pelo professor. 

Língua Portuguesa:
EF15LP02 – Estabelecer expectativas sobre o texto antes e durante a leitura, utilizando conhecimentos sobre o gênero, o título, as ilustrações e o suporte para formular e verificar hipóteses;
EF15LP03 – Localizar informações explícitas em textos;
EF15LP05 – Planejar o texto considerando a situação comunicativa, os interlocutores, a finalidade, a circulação, o suporte, a linguagem e o assunto;
EF15LP06 – Reler e revisar o texto produzido, com a ajuda do professor e dos colegas, realizando correções e aprimoramentos;
EF15LP09 – Expressar-se oralmente com clareza, tom de voz audível, boa articulação e ritmo adequado;
EF15LP10 – Escutar com atenção as falas de professores e colegas, formulando perguntas pertinentes e solicitando esclarecimentos;
EF15LP15 – Reconhecer a dimensão lúdica e imaginativa dos textos literários, valorizando-os como patrimônio artístico e cultural;
EF02LP13 – Planejar e produzir bilhetes e cartas, impressos ou digitais, considerando a situação comunicativa, o assunto e a finalidade;
EF03LP13 – Planejar e produzir cartas pessoais e outros registros com expressão de sentimentos e opiniões, respeitando as características do gênero;
EF35LP03 – Identificar a ideia central do texto, demonstrando compreensão global;
EF35LP04 – Inferir informações implícitas nos textos lidos;
EF35LP21 – Ler e compreender textos literários de diferentes gêneros e extensões, desenvolvendo preferências por temas, gêneros e autores;
EF35LP22 – Perceber os diálogos em narrativas e observar os efeitos de sentido produzidos pelas falas das personagens;
EF35LP26 – Ler e compreender narrativas ficcionais, observando enredo, tempo, espaço, personagens, narrador e formas de apresentação das falas.

Não é necessário trabalhar todas as habilidades em uma única aula. O professor poderá selecionar aquelas que estejam de acordo com os objetivos definidos para a turma.

Adaptações e inclusão:
Para garantir a participação de todos, a atividade pode ser adaptada com:
●Leitura em voz alta e repetição das informações principais;
●Imagens ampliadas e cartões com personagens;
Letras móveis e bancos de palavras;
●Escrita em duplas;
●Produção por meio de desenho, colagem ou ditado ao professor;
●Frases iniciadas para que a criança possa completar;
●Recursos de comunicação alternativa;
●Ampliação do tempo para leitura e produção;
●Organização de colegas como escribas, respeitando as ideias do autor da mensagem.

O apoio deve favorecer a expressão da criança sem substituir suas escolhas. Mesmo quando o professor ou um colega atua como escriba, o estudante deve decidir o que deseja comunicar.

Avaliação:
A avaliação pode ocorrer de maneira contínua, por meio da observação das conversas, dos registros e das produções. O professor poderá verificar se o estudante:
●Participa dos momentos de leitura e discussão;
●Formula hipóteses coerentes sobre o texto;
●Identifica personagens e acontecimentos principais;
●Compreende o conflito vivido pelo leão;
●Localiza informações e realiza inferências;
●Reconhece a importância da escrita para a comunicação;
●Escuta e respeita as opiniões dos colegas;
●Identifica remetente, destinatário e finalidade;
●Organiza as ideias em uma sequência compreensível;
●Produz uma mensagem adequada à situação;
Revisa o texto com apoio;
●Demonstra avanços em leitura, escrita e oralidade.

A correção ortográfica não deve ser o único critério. É importante considerar a participação, as estratégias utilizadas, a compreensão da narrativa e a capacidade de comunicar uma ideia. Os registros do professor podem orientar intervenções e atividades futuras.

Conclusão:
Trabalhar com A história do leão que não sabia escrever possibilita uma aprendizagem envolvente e contextualizada. A narrativa mostra que a leitura e a escrita são instrumentos de comunicação, autonomia e participação social.

Ao interpretar a história, conversar sobre as atitudes das personagens e produzir mensagens com destinatários reais, as crianças desenvolvem competências linguísticas, sociais e emocionais.

Mais do que ensinar a estrutura de uma carta, a atividade ajuda cada estudante a perceber que aprender a escrever também significa encontrar maneiras de expressar suas próprias ideias e fazer com que sua voz seja compreendida.



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